Hoje fez uma semana que embarquei... Tá, que tipo de intercambista eu sou que não atualizou blog, nem postou foto, nem nada? Eu sei, eu sei. Me desculpem, mas é que é tudo muuuito novo, muita informação junta e eu REALMENTE precisava dessa semana como um pequeno período de adaptação. Quanto às fotos, ainda não postei nada porque, como já disse, deixei pra comprar minha câmera aqui; por um tempo eu só pesquisei, agora já sei qual quero, mas todas as vezes que fui a Future Shop ou a Best Buy, alguma coisa deu errado. Pois é, não era pra ser. Agora vou ter que esperar mês que vem porque andei comprando muita coisa que precisava e tal... Mas, enfim, mais hora ou menos hora eu me estabilizo, posto fotos e não vai demorar :D
Sobre despedidas - Quando eu comecei a planejar meu intercâmbio nem imaginava que ia chegar tão rápido o dia em que eu tivesse que dizer adeus a tudo o que eu construi, aos meus tão lindos amigos, aos meus tão maravilhosos pais, meus irmãos, minha igreja, meu trabalho... Mas chegou. E foi tudo de repente, é muito sentimento junto, minha cabeça pensava mil coisas e nada ao mesmo tempo; acho que eu não estava entendendo muito bem o que estava acontecendo, pra quão longe eu estava indo e eu só pensava em viver aquilo, curtir aquilo, saborear até mesmo a dor da partida bem no estilo "to aproveitando cada segundo antes que isso aqui vire uma tragédia", sabe?
As despedidas começaram no meu trabalho... O pessoal "da produção" comprou um brinco pra mim e todo mundo escreveu em cartõezinhos e tal, achei muito legal, afinal, eu só fiquei lá 5 meses... Ah pessoal, que saudade de vocês:
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| Todo mundo da sala do fundo |
Ainda fizemos na igreja um culto de gratidão, foi lindo
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| Minha mãe |
Depois chamei em casa as pessoas mais especiais da minha vida:
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| Meu irmão fez pra mim *-* |
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Todo mundo aí nessa foto tem uma participação MUITO ESPECIAL na minha vida! Todas elas me ensinaram algo, me ajudaram a crescer, confiam em mim, acreditam nos meus sonhos e, claro, me aturaram demais falando do intercâmbio haha.
Esta despedida na minha casa foi a ultima, um dia antes do voo e eu não chorei nada, nadinha. Achei muito estranho mas hoje é que eu tenho certeza de que eu REALMENTE não sabia o que estava acontecendo e a felicidade tomava conta de mim... Acho que eu não tinha noção do tamanho da importância das coisas que eu estava "deixando" no Brasil :/ enfim.
Sobre o voo - A sexta chegou e com ela toda a correria! Algumas pessoas não sabem, mas peguei meu visto NA MANHÃ DO EMBARQUE, pois é. Hey, você aí que está planejando seu intercâmbio (e que mora numa cidade sem consulado, por isso precisa de SEDEX), aqui vai minha primeira dica: tire seu visto o quanto antes! Nunca é cedo demais pra começar a agilizar seus documentos pro consulado; se eu pudesse voltar no tempo, começaria o envio de documentos pro consulado um ano antes da viagem! O estresse seria BEM MENOR e eu ainda teria o visto americano. But, it's ok! Saí de casa bem cedo pra não correr o risco de pegar transito, cheguei no aeroporto por volta de quatro horas antes do voo e a fila pro check-in já estava cheia! Check-in feito e foi hora de aproveitar meus ultimos momentos com a minha familia... Daí eu tive que ir. E doeu tanto ver meus pais, meu irmão, todo mundo chorando... Mas era necessário, tava feito.

E eu fui.
Não sei se dá pra ver na foto, mas aquele menino de boné e mochila ali na frente, de costas é o Mário; ele foi muito legal comigo. Lá na sala de embarque eu tava com uma cara de desespero, vontade de chorar, sair gritando e ele ficou convesando comigo, me distraindo e por um tempo eu me esqueci do que tudo aquilo se tratava. Hora de entrar no avião e o Mário sentou um pouco longe, "ai meu Deus, quem é que vai sentar comigo?" :/ Comecei a olhar a janela, tava bem de noite, um monte de gente e de novo: DESESPERO - vontade de chorar, ai meu Deus, cadê minha mãe??! Quando as lágrimas iam começar a descer um senhor sorridente sentou e disse: "primeira viagem internacional?" fiz que sim com a cabeça e 20 minutos depois eu tinha esquecido das lágrimas e tava dando risada das brincadeiras de um médico de Brasília (abraço, Seu Arismar).
Aêêêê! Já conheço dois brasileiros que também farão conexão Toronto - Vancouver; a hipótese de me perder já não me aflige mais. Chegamos em Toronto. Fila pro check-in. Foi o Mário. Foi o Arismar. Foi o Pedro (outro brasileiro que conheci no voo); todos eles liberados sem precisar ir a imigração. E quando foi a minha vez, me mandaram pra imigração. POR QUE EU??? Lá foi tudo bem, demorou um pouco, mas foi tudo bem. Quando saí pela porta que me indicaram, eu estava sozinha na CIDADE do aeroporto de Toronto. Mãos suando. Pra onde ir? Pensa pensa pensa pensa pensa. Vou perguntar. NÃO ENTENDI NADA D: vou seguir as placas. Ai meu Deus o que são esses códigos? JÁ PASSEI TRÊS VEZES POR ESSE MESMO AQUÁRIO :/ :/ Faltam 30min pro embarque. Segura o choro. Pai, vem aqui me buscar =( Pergunta de novo. Tá, entendi mais ou menos. Acho que é por aqui. Ai meu Deus, não é!, VOU CHOR... "HEY, É POR AQUI" disse um anjo, rs. "Vi você pedindo informação e não entendeu nada, né?" "Pode me mostrar como chego nesse portão?" "Claro". AH QUASE DEI UM ABRAÇO NO GAÚCHO GENTE BOA. Faltando pouquíssimos minutos, cheguei na sala de embarque, vi o Arismar, o Mário, o Pedro... Nossa, uns 20 brasileiros. Enfim; foi o tempo de entrar no skype e avisar meus pais que cheguei. No voo pra Toronto o Mário sentou do meu lado e foi tudo muito tranquilo. Chegamos. Peguei minhas malas. Encontrei o transfer com o meu nome rapidinho. Em 20 minutos cheguei na homestay. A Grace já estava com a porta aberta, com um sorrisão. Entrei. PUTS, NÃO ENTENDO NADA DO QUE ELA FALA. Vi a casa. Minhas "irmãzinhas". Outras duas intercambistas... Uma porta com um desenho de uma criança, da bandeira do Canadá: "Daniele's Room - Welcome to Canada". AWN *-* entrei. Coloquei as malas... Fechei a porta... Olhei pra um lado, pro outro... AHHHHHHH EU QUERO O BRASIL. E Chorei. Acho que como nunca antes. TENHO QUE FALAR COM A MINHA MÃE; NOTE NÃ LIGA. DESESPERO. Alguém bate na porta. Abri com a cara inchada, lágrimas escorrendo (é, nem disfarcei mesmo). Era uma criança super tímida (e linda!), trazendo pra mim uma caixa de lenço e biscoito japonês na mão: "Are u ok?". AAAAAHHHHHHHH D: D: D: Pensei nas 15horas que demorei pra chegar, no cansaço, no desespero em Toronto, na imensidão de mar e mais mar que vi na janela do avião e então minha ficha caiu: TO MUITO LONGE DE CASA. Cadê meus amigos? Meu celular não funcionava. Ah não, o que é que eu fiz? :/ E lá se foi o fim de semana mais longo da minha vida. Só conseguia chorar e pensar em arrumar um jeito de dizer pro meu pai que eu desisti. Que eu queria voltar. "As coisas vão melhorar".
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Sobre tudo o que há de novo - Acordei. Tomei banho. PÔ DANIELE, OLHA ISSO, DERRUBOU ÁGUA FORA DA BANHEIRA. SECA SECA SECA. Escorreguei. Barulhão logo de manhã. Ahhhh não, mas logo no primeiro dia? =( Me arrumei. Fui pro café da manhã. Ovo, arroz e bacon na mesa. AFFF, cadê o pão e café com leite da minha mãe que eu TANTO RECLAMAVA? :/ No domingo o John (hostfather), a Tamara (hostsister) e a Yuriko (roommate) me levaram pro downtown pra fazer o caminho da escola. Muito fofos, foram conversando, tirando minha timidez, perguntavam do Brasil, iam explicando o caminho e tal... Depois de aprendido o caminho, fomos ao shopping e então conversei bem mais com a Yuriko, ahhhh, ela é demais. Saindo de lá passamos em frente a Starbucks e então comentei que nunca havia tomado café lá antes. Eles não acreditaram. ME OBRIGARAM A ENTRAR.

Confesso que me senti muito estranha, tipo um índio, sabe? Na verdade me senti assim várias vezes desde que cheguei... Sempre acontece quando eu vejo a reação deles ao me ouvirem contar como é a educação no Brasil, preço das coisas, quanto ganhamos, etc... Dá muita vergonha. Mas, né. Enfim. (Ah, e palmas pra mim que fiz meu papel de intercambista e contei pra eles que o Brasil não é só Amazonia, que a economia não vem toda da agricultura, e que nem toda mulata samba :D)
Segunda chegou e na mesa tinha cereal, suco e pães num lado a parte, tipo separado pra alguém, e era pra mim. Eles notaram que não é muito a minha praia "almoçar" no café da manhã e agora tem isso todo dia pra mim.
Fui pra escola. Muito fácil de lembrar o caminho. Chegando lá uma fila gigante de novos alunos pra mostrar a carta de aceitação. Gente do mundo inteiro. Feito isso, as turmas foram divididas por país pra recebermos as informações (que não eram poucas) em português, conhecermos a conselheira brasileira e tal. Mas só no primeiro dia, depois disso JUST ENGLISH! hehe
Desde então o tempo tem VOADO de uma maneira absurda, meu inglês melhorou como mágica, todos os dias conheço alguém de um país diferente, todos os dias agradeço a Deus por ter me deixado ficar numa homestay com pessoas TÃO LEGAIS (é raro uma hostfamily ser tão legal contigo a ponto de você chegar em casa um pouco mais rouco que o comum e 15 minutos depois ter uma senhora batendo na porta do seu quarto te levando suco de limão com mel), percebo um valor na minha família e nos meus amigos que nunca havia percebido antes e, fora os lapsos momentâneos de extrema "homesick" está tudo MARAVILHOSAMENTE BEM. Minha auto confiança só aumenta e o mundo tem ficado pequeno com tanta informação nova adquirida em uma semana.